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segunda-feira, 16 de maio de 2011

19 Dias Sem Fumar

Deixo aqui para reflexão:

"Diga-me uma só vantagem em fumar que volto hoje mesmo!"

Se soubesse o quão difícil era largar e quantos males ele causa não teria começado esta idiotice.

Esses 19 dias sem fumar são sustentados pela fé que tenho em Deus e por acreditar que posso fazer o que quero da minha vida!

Alguns sintomas, como náuseas, dores de cabeça, tremedeira e formigamento da boca estão diminuindo levemente... Vitória!

Vontade compulsiva de fumar... Isso continua até mesmo em sonhos! rs

Mas como disse anteriormente: "Cada dia sem fumar é uma resposta aos dias seguintes... Eu consigo mais um!"

Cláudio Alves

sexta-feira, 13 de maio de 2011

16 DIAS SEM FUMAR

Hoje faz 16 dias que estou sem fumar!

Gostaria de descrever o que senti nesses 16 dias de luta e muita opinião!

Primeiramente gostaria de agradecer a Deus, pois tenho entregado minhas angustias e aflições a Ele e sinto que estou sempre acolhido. A minha namorada, Tânia, que sempre me apoiou nesta decisão e agora diz que está mais cheirosa, pois não carrega mais a fumaça que sai de mim! Enfim, a todos que lutam comigo contra esta desgraça que é o vício no tabaco.

Em uma bela manhã do dia 27 de Abril de 2011 acordei decidido a deixar o cigarro depois de 15 anos de escravidão. A distância entre fumar e deixar de fumar era longa pra mim, mas DECIDI correr este risco.

Depois de muito estresse, oração, irritação e silêncio, passei minha primeira (E mais difícil) 24h sem fumar. Depois a coisa piora... rs. Brincadeira.

O que acaba acontecendo é o seguinte. A vontade de fumar (Física e mental) nos persegue implacavelmente, mas o que mais nos motiva é saber que já conseguimos dar um passo! A grande motivação para vencer a abstinência é o fato de você já tê-la vencido até agora.

Os sintomas são os mais diversos possíveis, pois seu sistema nervoso está estranhando a falta da maldita nicotina. O sentimento que vinha era da perda de um grande amigo. O amigo de todas as horas. O cafezinho, a cervejinha, após as refeições e o famoso “fumódromo” estavam órfãos de pai e mãe. Mas como disse, DECIDI correr este risco e iria até o fim por esta meta.

Hoje, com 16 dias sem fumar posso dizer que muitas coisas mudaram. Sinto mais o gosto dos alimentos, minha disposição aumentou e sei que não incomodo mais ninguém com a maldita fumaça do cigarro.

Ainda sinto vontade, mas os 16 dias de vitória me fazem ter forças para alcançar o 17º dia e assim sucessivamente. Um dia de cada vez.

Criei este blog para provar que com opinião e decisão podemos vencer o vício do cigarro e mostrar quem esta no comando.

Até a próxima.

Cláudio Alves

terça-feira, 10 de maio de 2011

A crise de abstinência de nicotina - Drauzio Varella

Tinha até esquecido o quanto sofre o fumante para largar do cigarro. Parei há 23 anos e já não me lembrava das agruras pelas quais passei até ficar livre da dependência de nicotina que me escravizou durante 19 anos. Ao gravar uma série para a TV com seis personagens que pararam de fumar num mesmo dia, no entanto, revivi meu sofrimento e pude observar as dificuldades dos dependentes diante da crise de abstinência de nicotina.

O cigarro nada mais é do que um dispositivo para administrar droga. A nicotina inalada com a fumaça é rapidamente absorvida pelos alvéolos pulmonares, cai na circulação e chega ao cérebro num intervalo de seis a dez segundos. Inalada, chega mais depressa do que se tivesse sido injetada na veia, porque não perde tempo na circulação venosa. A velocidade com que a droga chega ao sistema nervoso central explica por que a primeira tragada traz alívio imediato ao fumante aflito.
No tecido cerebral, a nicotina se liga a receptores localizados nas membranas dos neurônios localizados em vários centros cerebrais. A integração desses circuitos é responsável pela sensação de prazer que os dependentes referem sentir ao fumar - e que os não-fumantes são incapazes de entender.

A droga é de excreção rápida. Sua meia-vida é curta: duas horas, em média. Isto é, metade da dose fumada é eliminada da circulação em duas horas. Por razões genéticas, essa velocidade de excreção varia de um fumante para outro; os que eliminam a droga mais depressa tendem a fumar mais. Grande parte dos que fumam dois ou três maços por dia é constituída por metabolizadores rápidos de nicotina.

A presença de outras drogas na circulação pode alterar a velocidade de excreção. É o caso do álcool, substância na qual a nicotina se dissolve com muita facilidade. Como o álcool é diurético, ao beber, o fumante excreta rapidamente na urina a nicotina nele dissolvida. A queda da concentração da droga no sangue desencadeia o desejo irresistível de fumar.

Viciados em nicotina, os neurônios do centro que integra as sensações de prazer, ao sentirem seus receptores vazios dela, estimulam outros circuitos de neurônios, que convergem para o chamado centro da busca. Esse centro é responsável por induzir alterações comportamentais com a intenção de nos obrigar a repetir ações que anteriormente nos trouxeram prazer: sexo, comida, temperatura agradável para o corpo, etc.

Uma vez que os centros do prazer ativam o centro da busca, este não pode ser mais desativado. O centro da busca permanecerá ativado mesmo que o prazer responsável por sua ativação deixe de existir. Por isso o fumante se surpreende ao acender um cigarro no toco do outro, o usuário de cocaína continua cheirando apesar do delírio persecutório que experimenta toda vez que usa a droga, e o jogador compulsivo é capaz de perder a casa da família em cima do pano verde.
Informados da falta de nicotina, os neurônios do centro da busca lançam mão de sua mais poderosa arma de persuasão comportamental: a ansiedade crescente. Tomado pela vontade de fumar, o fumante perde a tranqüilidade, fica agitado, nervoso e não consegue se concentrar em mais nada. Para ele, não existe felicidade possível sem o cigarro.

Como a nicotina é droga de excreção rápida, essas crises de ansiedade se repetem muitas vezes por dia. Para evitá-las, o fumante vive com o maço ao alcance da mão para acender um cigarro assim que surgirem os primeiros sinais, porque sabe que a intensidade dos sintomas da crise é crescente, insuportável. O cérebro aprende, então, que ansiedade e nicotina estão indissoluvelmente ligadas. Daí em diante, todo acontecimento que provocar ansiedade será interpretado por ele como resultante da ausência de nicotina. Por isso os fumantes levam imediatamente um cigarro à boca ao menor sinal de ansiedade ou diante da emoção mais rotineira. Por isso dizem que o cigarro os acalma.

O curto-circuito de prazer que a nicotina arma entre os neurônios provoca uma dependência química de forte intensidade, enfermidade cerebral crônica e recidivante. Para tratá-la, é preciso ensinar o cérebro novamente a funcionar como fazia antes de entrar em contato com a droga. Tal empreitada significa enfrentar a abstinência de nicotina, que se manifesta em crises repetitivas, muito mais intensas, desagradáveis e difíceis de suportar do que aquelas provocadas por drogas como cocaína, crack, maconha, ou álcool.

Os primeiros dois dias sem fumar são os piores. As crises se sucedem uma atrás da outra até atingirem freqüência e duração máximas em 48 horas. Nesse período, as manifestações incluem irritação, ansiedade, tremores, sudorese fria nas mãos, fome compulsiva, modificação do hábito intestinal, alterações da arquitetura do sono (insônia ou hipersônia), dificuldade extrema de concentração e alternância de episódios de apatia com outros de agressividade comportamental.
A partir do terceiro dia, a freqüência das crises e a intensidade dos sintomas começam a diminuir gradativamente, dia após dia. À medida que as semanas se sucedem, o desejo de fumar continua a manifestar-se, mas vai embora cada vez mais depressa.

Em média, seis meses depois de parar de fumar, a maioria dos ex-fumantes já consegue passar um ou outro dia sem se lembrar da existência do cigarro. Os neurônios começam a ficar livres da dependência que os sucessivos impactos diários de nicotina causaram em seus circuitos. É a liberdade do cérebro, que, para ser mantida, exige o preço da eterna vigilância, porque a doença é traiçoeira, crônica e recidivante.